Casca de Arroz

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CASCA DE ARROZ CARBONIZADA: UM SUBSTRATO PARA A PROPAGAÇÃO DE PLANTAS

 

Engº. Agrº. M.Sc. Francisco Xavier de Souza

CNPAI/EMBRAPA

Retirado de Publicação na Revista Lavoura Arrozeira V. 46 nº. 406 jan./fev. 1993 - pag. 11

 

No processamento industrial do arroz, as cascas correspondem a aproximadamente 20% do peso dos resíduos. Essas cascas, quando não são queimadas visando ao aproveitamento energético, são deixadas no meio ambiente, criando problemas de estética, que se agravam quando levadas pelo vento para outras áreas.

As cascas de arroz têm baixa densidade e peso específico, além de lenta biodegradação, permanecendo em sua forma original por longos períodos de tempo. Apresentam um alto poder energético, já que contêm quase 80% de seu peso em carbono. Suas cinzas são compostas basicamente de sílica e, portanto, bastante alcalinas.

Tanto nas cascas de arroz como em suas cinzas, não existem compostos tóxicos. Entretanto, durante o processo de combustão e gaseificação, formam-se partículas de cinzas que contêm carbono: a fuligem.

As cascas de arroz podem ser carbonizadas e usadas como substrato, em canteiros ou recipientes, na germinação de sementes e formação de mudas de vegetais superiores.

O substrato de cascas de arroz carbonizadas apresenta as seguintes características físicas e químicas: densidade seca de 150g/l, capacidade de retenção de água de 53,9%, capacidade de troca de cátions de 5,5 meq/dl, pH em água de 7,4, teor de sais solúveis de 0,7 g/l, 0,7% de nitrogênio,0,2% de fósforo e 0,32% de potássio.

As cascas de arroz carbonizadas são consideradas um bom substrato para germinação de sementes e enraizamento de estacas por apresentar as seguintes características: permite a penetração e a troca de ar na base das raízes ; é suficientemente firme e densa para fixar a semente ou estaca; tem coloração escura e forma sombra na base da estaca; é leve e porosa permitindo boa aeração e drenagem; tem volume constante seja seca ou úmida; é livre de plantas daninhas, nematóides e patógenos; não necessita de tratamento químico para esterilização, em razão de ter sido esterilizada com a carbonização.

Para carbonização das cascas de arroz, deve-se construir um "carbonizador" que é composto de um cilindro carbonizador, uma base de encaixe e uma chaminé. Esse cilindro pode ser feito a partir de tonel de latão com capacidade de 200 litros. Para tanto, deve-se retirar suas bases e fazer cortes (entalhes) em todo seu perímetro. A base de encaixe e a chaminé são feitas com zinco.

Para carbonização das cascas de arroz, deve-se escolher um local plano, limpo, próximo à fonte de água e seguir as seguintes etapas:

  1. Fazer fogo com lenha ou carvão no piso do local escolhido;
  2. Pôr o cilindro carbonizador sobre o fogo e depois colocar a base de encaixe da chaminé sobre o cilindro carbonizador;
  3. Colocar as cascas de arroz circundando o cilindro até a altura da base de encaixe da chaminé, de maneira que formem um cone de cascas de arroz;
  4. Colocar a chaminé sobre sua base de encaixe, localizada na parte superior do cilindro carbonizador.

A partir de então, tem-se que ficar atento à saída do fogo na superfície da camada de cascas de arroz, tendo o cuidado de não deixar formar chamas. Para tanto, o operador, com o uso de uma pá, deverá retirar as cascas da base da camada (próximo ao solo) e colocá-las sobre os locais em chamas (pontos de fogo) da superfície da camada. Quando toda a camada de cascas estiver carbonizada, ou seja, escura como carvão vegetal, o operador deverá colocar mais cascas para continuar a carbonização, ou, com o uso de uma pá, afastar para o lado aquelas já carbonizadas e umedecê-las com água até certificar-se de que não há mais combustão, restando apenas as cascas de arroz carbonizadas.

As cascas de arroz, quando queimadas totalmente, transformam-se em cinzas e têm seu volume reduzido em cerca de 20 vezes. Na carbonização, o rendimento é muito superior e, quando bem efetuada, chega-se a 50%, ou seja, o volume reduz-se apenas pela metade. ]

As cascas de arroz carbonizadas podem ser usadas puras ou em mistura com outros substratos para formação de mudas de diversas espécies de plantas florestais, frutíferas, hortícolas e ornamentais. Esse substrato vem sendo utilizado com muito sucesso na propagação vegetativa da pimenta-do-reino, no Estado do Pará.

 

Imagens ilustrativas retirada do livro -  KÄMPF, A.N. Produção comercial de Plantas Ornamentais. Guaíba:Agropecuária, 2000. 254p. p.64-65. (A) - (B)

 

 

 
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 Página criada em março de 2002 - Última atualização em terça-feira, julho 30, 2002 .