Cultivo por Espécie
Produção Comercial de Hortênsias em Vaso: Dormência, pH e a Cor da Flor
A hortênsia é a planta que mais parece obra de arte comestível de galeria — e tem um truque que fascina quem cultiva: o mesmo pé pode dar flores azuis ou rosas, dependendo do pH do substrato. É química básica transformada em espetáculo comercial.
Produzi-la em vaso, porém, exige respeitar um ritmo que a planta traz do frio: a dormência. Este guia técnico cobre o ciclo completo, da estaca ao vaso florido, incluindo o manejo do pH para controlar a cor.
Aspectos gerais
As plantas produzidas a céu aberto, plantadas em jardins, passam por um ciclo de crescimento vegetativo no verão, seguido por um período de hibernação quando ocorre a amadurecimento da gema floral para florescimento no verão posterior. O potencial de florescimento depende tanto do período vegetativo como do período de dormência.
A produção forçada reproduz o que ocorre naturalmente.
Propagação
A propagação feita por estacas de ponteiros em plantas mantidas em crescimento vegetativo, podadas radicalmente no ano anterior e preferencialmente mantidas sob dias longos. A propagação é realizada em geral de final de novembro até início de janeiro, quando mais cedo melhor, permitindo o desenvolvimento da planta antes do período de dormência.
Pode-se também fazer estacas de segmentos intermediários, desde que se tenha pelo menos um nó e parte de entrenó. Estacas com dois nós, um enterrado e outro na superfície do substrato, têm menos perdas por apodrecimento.
Enraíza-se em substrato de turfa (Carolina´s Choice) ou Fibra de Coco (T 98) no caso de bandejas ou diretamente no vaso 15 com substrato para produção (é possível em vaso 11, mas o resultado final é inferior).
Cuidado na retirada parcial das folhas das estacas para que as mudas não sombreiem umas às outras. Pode cortar curta (em poucos dias o que ficou da folha cai naturalmente) ou arrancar, cuidando para não danificar o caule. Sombreamento de 50% ou maior e elevada umidade relativa do ar. Processo de enraizamento leva de três a quatro semanas.
Valor de pH e a adubação e sua relação com a cor da flor
O valor de pH do substrato para azuis 4,5 a 5,5 e para rosas e brancas 5,5 a 6,5. A cor é definida já na fase vegetativa, porém o cuidado em manter o pH na fase de florescimento vai determinar a pureza desta cor.
Flores azuis
Não utilize ácido fosfórico para reduzir o pH, pois o fósforo imobiliza o alumínio, que é determinante para flores azuis. Sulfato de Alumínio (disponível em lojas de produtos para piscina), utilizado com cuidado, é o acidificante recomendado, assim como ácido sulfúrico (solução para bateria de automóvel). Evite também superfosfatos em mistura no substrato.
A dose de sulfato de alumínio recomendada é de 1,2 kg por 100 litros, em 4 aplicações ou mais (a cada duas semanas, monitorando o pH para que não fique abaixo de 5) no ciclo total, sempre após irrigações (com o substrato molhado).
Adubação 100 ppm N para 200 ppm de K com nitrato de amônia como fonte de Nitrogênio e nitrato de potássio. O suprimento abundante de potássio auxilia flores de azul puro.
Flores Rosas
Para flores rosas a chave está em fósforo e ferro elevado, baixo alumínio e potássio.
Utilizar MAP, nitrato de cálcio e nitrato de potássio com critério. Concentrações maiores de N para flores rosas. 200 ppm N Com pH acima de 6,5 fique atento a problemas com deficiência de ferro (folhas novas amarelas). Um programa preventivo de aplicação foliar de Ferro quelatizado (com ou sem outros micros) é recomendável. As brancas podem seguir as recomendações das rosas.
Manejo da dormência
Fazer o desponte depois de três nós de altura, retirando o último. Em geral as plantas necessitam de pelo menos três pares maduros de folhas em cada broto para produzir um botão floral no período pós-dormência, observar esta altura antes de colocar a planta em câmara fria.
As flores são iniciadas no final do verão ao início do outono. Elas teoricamente requerem de 1.000 a 1.200 horas de frio (40-50 dias corridos) entre 4 e 7 º C para florescimento pleno (esta quantidade de horas de frio não têm ocorrido naturalmente nos últimos anos na região serrana do RS). Antes do tratamento as plantas são desfolhadas quimicamente (ácido giberélico, ethrel - “dose?”) ou manualmente, retirando todos os restos para evitar que provoquem aparecimento de fungos na câmara fria. Durante o processo de frio deve-se ter cuidado para que as plantas não sequem.
Outra recomendação para o período de dormência é de 6 semanas com temperatura inferior a 18 oC natural e 6 semanas com temperatura inferior a 5 oC, nesta última fase sem luz e com as plantas desfoliadas.
A gema floral induzida tem mais 5 a 7 pares de folhas pré-formados antes da inflorescência que devem abrir rapidamente quando iniciar o período de florescimento pós tratamento de frio.
Aplicação de ácido giberélico para substituição parcial do requerimento de frio e quebra de dormência: aplicar foliar com concentração de 2 a 5 ppm de i.a.(se for Pró-Gibb – 10% de i.a. - seria 2 a 6 gramas em 100 litros) por uma a quatro semanas consecutivas iniciando no início do crescimento. Aplicar bem a solução para cobrir os pontos onde têm botões florais.
Uso excessivo ou no momento errado causa hastes fracas. Monitorar a resposta a cada aplicação para verificar se é necessária a seguinte. Não aplicar depois dos botões estarem com mais de 1 cm de diâmetro.
Os sintomas de planta com frio insuficiente são: entrenós curtos, folhas pequenas e aparência de roseta.
A retirada de pequenas folhas que possam ter nascido nos ápices durante o período de frio favorece a brotação e florescimento.
Cuidados na fase de florescimento
As mudas de Hortênsia têm dificuldade de desenvolvimento do sistema radicular na fase inicial e são muito sensíveis as faltas de água. A “abertura” ou escarificação do torrão de raízes antes do plantio em um recipiente maior favorece o desenvolvimento de raízes por todo o vaso. As plantas devem enraizar bem nas primeiras três a quatro semanas, devendo- se ter atenção para que a irrigação molhe bem a muda, na somente o substrato novo em volta dela.
Nesta fase a maior exigência é de adubação nitrogenada, de acordo com a coloração a ser obtida.
O tempo normal de florescimento após transplante é de cerca de 10 a 14 semanas.
Plantas forçadas para períodos de dias curtos se beneficiam de iluminação noturna para florescimento. As plantas ficam mais altas com temperaturas noturnas baixas e demoram mais para florescer.
Quando as flores estiverem abrindo é recomendável sombreamento e muito cuidado para que as plantas não murchem. Pétalas murchas não se recuperam mais.
O regulador de crescimento recomendado para manter o porte compacto das plantas é o Daminozide (Dami, B-Nine) a uma dose de 1250 a 2500 ppm (aproximadamente 1,5 a 3,0 gramas de produto comercial por litro).
Material elaborado por: Eng º. Agrônomo M.Sc. Cirilo Gruszynski cirilo@cultivodeflores.com.br Fevereiro 2007
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Perguntas frequentes
Como fazer a hortênia dar flores azuis?
Mantenha o pH do substrato entre 4,5 e 5,5 com sulfato de alumínio (1,2 kg por 100 L, em aplicações quinzenais, sempre com o substrato molhado) e evite fósforo em excesso, que imobiliza o alumínio responsável pela cor azul.
Quanto tempo leva o enraizamento das estacas de hortênsia?
De três a quatro semanas, sob sombreamento de 50% ou mais e alta umidade relativa do ar. Estacas com dois nós — um enterrado, outro na superfície — têm menos perdas por apodrecimento.